A bota no rosto.
O meu “outro eu” neste post já tratou do assunto de forma bastante descompromissada.
Eu não pretendo escrever um tratado, claro, mas é impressionante a quantidade de visitas que ele recebe através do Google de gente procurando “pra que serve a filosofia”.
Não dá pra entender essa diferenciação que as pessoas fazem das várias áreas do conhecimento. É claro que umas, como português e matemática, são obviamente melhor interpretadas devido ao seu uso intenso no dia a dia. Mas será que as coisas não seriam melhores caso a filosofia fosse entendida da mesma forma que o português e a matemática o são? Falta uso prático da filosofia?
Infelizmente eu temo que isto seja sinal dos tempos. Tempos pré-concebidos e que são entregues prontinhos e embrulhados pra presente, com uma embalagem bonita, para que o indivíduo apenas usufrua deles. Tempos cuja interpretação individual não é mais cabível, tempos uniformes, que se enquadrem em qualquer perfil de gente espalhada pelo globo.
A filosofia é sumariamente ignorada por não ter como objetivo produzir qualquer tipo de lucro imediato. Por não desenvolver novas tecnologias que possam corresponder aos anseios consumistas desta sociedade consumista. As áreas de conhecimento em geral perderam seu foco investigativo e passaram a ter foco comercial.
Foi-se a imagem do cientista que vivia enterrado nos livros, que estudava a vida inteira apenas pelo prazer de saber como as coisas funcionavam. Hoje estuda-se para obter o primeiro milhão de dinheiros. Não que seja errado ganhar dinheiro por pesquisar algo, mas esse processo de monetização de tudo gera sérios impedimentos que acabam por não beneficiar áreas que não trazem retorno financeiro imediato… A filosofia perdeu o seu significado e sua validade justamente ai.
Logo as gerações vindouras irão se questionar sobre a serventia da biologia, da astronomia, da física teórica… Não ficaria assustado se em um ou dois séculos os grandes centros acadêmicos dessem lugar a indústrias e vagas de emprego, não teríamos mais estudantes, só funcionários.
Talvez Orwell tivesse razão sobre sua visão de futuro… Uma bota pisando em seu rosto.