Mão de obra barata… Praticamente de graça.
Cheguei a conclusão que eu não passo de “mão de obra” para meus pais.
Pode parecer bizarro, mas eu explico:
Há várias semanas minha chefe passou a se achar no direito de me solicitar nos finais de semana que ela achar conveniente sem aviso prévio. Basta ela querer que um trabalho qualquer seja feito no sábado para que ela instantaneamente assuma a possibilidade incondicional de eu estar disponivel para realizar tal trabalho.
Isso vem causado uma série de desconfortos porque eu ando indo com bastante frequência ao Rio de Janeiro nos finais de semana e minha chefe fica emputecida de eu estar reservando os finais de semana pra viver a MINHA VIDA.
De fato, se vc parar pra observar que o meu companheiro de setor é o filho do dono que, apesar de ser um cara bacana, não sabe praticamente nada do trabalha que desenvolvemos. Se um dia a grama do setor muda de cor ele morre de fome… Coitado.
Obviamente para a empresa isso não é legal, qualquer adversidade na rotina de trabalho gera um transtorno enorme quando não estou presente. Considerando ainda que minha chefe acha fácil cancelar ou remarcar uma passagem de Ponte Aérea, da pra perceber o tamanho do desconforto que venho sentindo.
Hoje cheguei em casa bastante estressado em decorrência disso tudo e minha mãe, matreira como só ela, percebeu e me perguntou o que estava rolando. Eu expliquei tudo e, ao final, tive que ouvir o sermão da montanha de sempre:
- As coisas estão difíceis, vc precisa fazer hora extra, vc não pode ser mandado embora…
O blábláblá padrão. Não satisfeita com o sermão que me deu, ela fez questão de contar ao meu pai que fez o favor de repetir todo o sermão novamente:
- As coisas estão difíceis, vc precisa fazer hora extra, vc não pode ser mandado embora…
O blábláblá padrão… Novamente.
Então decidi que ia, mais uma vez, tentar explicar como toda esta situação patrão-empregado me deixa angustiado, como eu não acho que ganho o suficiente e como acho que as horas extras não são a melhor forma de aumentar meu salário. Como vender oito horas da minha vida por dia de trabalho me faz mal. Como eu me sinto sufocado em não poder exercer o potencial que eu sei que tenho em algo realmente útil…
Eu até tentei… Mas fui interrompido pelo Big Brother que começou bem na hora e fizeram com que meus pais deixassem de me ouvir para ver um loiro malhado correndo nu pela casa e pulando na piscina.
Foi tudo tão ultrajante pra mim que eu me calei e me retirei… Mas do quarto ainda podia ouvi-los me criticando quando começavam os comerciais.
Me sinto cada vez mais um mísero maldito robô, que só serve pra trabalhar pra uns e entregar o dinheiro no final do mês pra outros…
Amor, não fique assim. Enquanto moramos com os pais, somos obrigados a manter posturas que nem sempre condizem com o que pensamos. Temos 2 possibilidades: ou falamos e fazemos o que pensamos e aguentamos a encheção de saco ou fazemos o que pensamos mas sem falar nada.
É triste mas é o único jeito.
Love you.
Comment by B. — 2 February, 2007 @ 09:32 am
Fazendo coro com B., mas não querendo colocar mais deprê nessa situação.
Trabalhar o mês inteiro e deixar o salário com outrem é uma condição inevitável. Isso para todo o sempre. Saca? Taxes and death?
Agora, reverta o processo. Imagine-se pai e os (seus) filhos fazendo coisas com que você não concorda. Como dar o toque? como alertar? como abrir o canal? como aceitar certas coisas e limitar outras?
É complexo mesmo.
Bom! boa sorte aê!
Comment by zander catta preta — 2 February, 2007 @ 16:39 pm
Olá…
B. tem razão (ela é sempre muito sensata aliás!!!). Eu passo pela MEEESMA coisa há pouco mis de um ano. Saí de casa aos 17 e - infelizmente - tive que voltar agora, beirando os 30 e ainda por cima com um filho pequeno… Imagina a pressão?! Morar com a mãe depois de mais de uma década mandando no meu próprio terreiro? Uuuuuuuuui, como é complicado. Mas passa. TUDO passa.
Beijocas pro casal, que - legal!!! - continua firme e forte.
Comment by Brau — 3 February, 2007 @ 10:57 am
“Então decidi que ia, mais uma vez, tentar explicar como toda esta situação patrão-empregado me deixa angustiado, como eu não acho que ganho o suficiente e como acho que as horas extras não são a melhor forma de aumentar meu salário. Como vender oito horas da minha vida por dia de trabalho me faz mal. Como eu me sinto sufocado em não poder exercer o potencial que eu sei que tenho em algo realmente útil…”
rapaz, isso, exatamente isso, já aconteceu comigo. Sabe o que eu fiz? Só disse aos meus pais depois q já tinha pedido as contas. Até hj, mesmo eu estando em um lugar melhor, meu pai não se conforma e disse q perdi a chance de minha vida. Pra vc ver…
Comment by 45iso — 3 February, 2007 @ 22:10 pm
eles estão com meeeeeedo pq não vão poder tomar conta de vc depois q sair de casa ou depois “q eles faltarem”, então tentam lhe incutir o medo deles q vc não pode aceitar nem tomar como seu pq no fim das contas é deles. entendeu? hehehe
mas um dia vai fazer sentido.
Comment by lois — 13 February, 2007 @ 16:45 pm
Confesso que por um lado senti pena e por outro ri do seu post. Trabalhar nunca e facil. Dar dinheiro para os outros muito menos ainda mais quando sabemos quantos milhoes de sapos a gente engoliu por aqueles reais.
Enfim. Hj em dia trabalho para me manter aqui. Mais tambem ja fui como vc…trabalhava num lugar e dava dinheiro noutro. Confesso que nenhum dos dois adiantou de nada a minha vida. Larguei tudo e resolvi ganhar dinheiro de outra maneira e gastar de outra maneira. Vivo no aperto. Faco hora extra de vez enquando. Mais todo o meu dinheiro gasto me deixa feliz porque hj em dia quem gasta sou apenas eu.
Beijos.
Voltarei mais vezes.
Comment by DANI SANTINO — 15 February, 2007 @ 22:14 pm
Cai aqui de para quedas e gostei do texto, e concordo que hora extra não é forma de aumentar salário… Agora cá entre nós, de Graças por receber, pois eu faço muitas por exigencia da empresa e recebo ZERO em troca…
Ok, não posso reclamar do meu salário, mas do excesso de trabalho não remunerado.
Boa sorte!
Comment by Paulo César — 21 February, 2007 @ 16:31 pm