Tráfico de animais.
Esses dias tive uma aula de bioética em que o professor propôs uma discussão sobre o problema do tráfico de animais. Eu fiquei impressionado que a grande maioria da sala, pra não dizer todos, alegaram que o problema reside basicamente no consumidor final e que, por isso mesmo, a solução seria proibir a posse de animais silvestres.
Eu não sei, sinceramente não me lembro de nenhum caso em que proibições resolveram o problema. Na verdade eu me recordo de uma série de casos em que as proibições não só agravaram o problema como também acabaram por criar novas complicações.
Veja, eu defendo que as pessoas tenham o direito de ter um animal, silvestre ou não, mas há que se arcar com as responsabilidades. Porque é fato, tem muita gente que quer ter bicho por modismo. O distinto filho do chefe que trabalha aqui comigo por exemplo, quer a todo custo ter uma iguana. A princípio não há nada de errado com isso, a não ser o fato de ele sequer cuidar de si, que dirá de uma iguana.
É fato que a iguana pra ele criaria uma espécie de “status social”, como criou pra amiga dele que comprou uma píton. Não conheço a amiga dele, mas foi depois de ela adquirir a cobra que ele decidiu que tinha que ter uma iguana. Eu tento todos os dias dissuadir o rapaz a ter, no máximo, um tamagochi pq eu sei que ele vai se cansar do bicho (do virtual ou do real) antes mesmo da bateria do infeliz acabar.
É claro que a questão talvez tenha um cunho monetário já que um animal legalizado custa os olhos da cara, da minha e da sua, ao mesmo tempo. Talvez se os preços fossem mais realistas as pessoas tenderiam a adquirir mais animais silvestres legalizados e acabassem por ampliar um mercado tão restritivo e que poderia trazer um retorno bacana para os criadores, para o governo e para a preservação das muitas espécies em extinção.
Eu mesmo, por exemplo, adoraria adquirir uma coruja. Mas não tenho condições de pagar R$ 4.500,00 em uma Suindara legalizada. Por outro lado, será que quem tem essa condição financeira e compra uma coruja tem a preocupação que eu teria com o animal? Será que não comprou pra pendurar em cima da estante e tirar onda com os amigos?
Enfim, não sei se existe uma solução para o problema. Aceito sugestões. Apenas acredito que educar melhor as pessoas com relação ao que significa ter um animal de estimação, baratear os custos para aquisição de um e criar um sistema de fiscalização que possa manter um controle efetivo das espécies que estão sendo comercializadas é um bom caminho.
O pessoal da minha classe acha que o melhor caminho é deixar o fulano de 3 a 5 anos na prisão… Como se já não tivéssemos animais selvagens demais por lá.