Como chegamos aqui?

Se a geração de hoje aplaude o repórter Vesgo, faltariam honrarias justas para o reporte político mais irônico de todos os tempos, Ernesto Varela. Personagem criado por Marcelo Tas, Varela protagonizou uma série de entrevistas e matérias durante os anos 80 e 90. O resultado de todo o material produzido nesta época é o espetáculo “A História do Brasil segundo Ernesto Varela: Como chegamos aqui”.

E como chegamos aqui senhores? A dúvida (uma certeza que se curvou?) que permeia o título da peça é a força motriz do espetáculo que com simplicidade e genialidade traça um panorama da história política do Brasil partindo da megafauna primitiva (isso mesmo, as preguiças gigantes) até os dias de hoje.

O foco principal fica no processo político iniciado com o fim do regime militar, as eleições indiretas e o movimento pelas diretas. O acervo multimídia demonstrado durante a peça nos revela um FHC que mais parecia um sindicalista e um sindicalista que pouco lembra o Lula de hoje, ambos juntinhos no mesmo palanque.

Poucas vezes tive a oportunidade de ver um relato tão perturbador sobre a política nacional, esse conto de fadas medonho que se transformou o governo do país e que produziu frases como “o interesse da nação, como vc’s sabem, não é necessariamente o interesse do povo”…

O espetáculo tem seus pontos altos nas perguntas capciosas de Varela ao deputado Paulo Maluf e à gafe inestimável cometida pelo ACM Neto, simplesmente impagável e inegavelmente envergonhante.

Ao final, Varela nos oferece uma segunda pergunta, “como saímos daqui?” e nos responde de forma muito bem humorada e com um talento único. O Vesgo deveria assistir a esta peça todos os dias.

POSTED BY Hades ON 10.30.06 @ 12:06 pm | 5 Comments

Aliança Eterna

Outra vez sento em frente ao computador, penso, penso e as palavras me fogem. Outra vez lembro de tantos momentos mas não consigo passá-los ao papel. Resolvo ouvir uma música, talvez as letras se juntem magicamente encantadas pela melodia e formem frases…

A música mostra que talvez eu não precise inventar nada. Posso simplesmente tomar emprestadas as palavras de outros, posso fazer minhas as poesias e melodias, ao menos por um momento. É o que resolvi fazer…

 

Alianza Eterna (Adriana Mezzadri)

 De marfil una rosa
Reina entre las flores
Del jardín ella reza
Por sus amores
Sin querer atestigua
Fiestas, pleitos y glorias

Y su nombre es Vida
Una vida de amor, seducción
Cuento de hadas
Tiene emoción todo lo que hace
Madre, devoción
Y una alianza eterna

Sentirá que no puede más
Florecer como antes
Y un altar se levantará
Sobre un diamante
Que su hogar ilumina
Irradiando fuerza

Y su nombre es Vida
Una vida de amor, seducción
Cuento de hadas
Tiene emoción todo lo que hace
Madre, devoción
Y una alianza eterna

 

  

 

 O altar é inquebrantável, a luminosidade é intrépida e a flor… A minha flor é eterna!

 E é para ela  que escrevo estas linhas hoje. Mãe, Feliz Aniversário! Amo vc!

POSTED BY Perséfone ON 10.28.06 @ 11:46 am | 3 Comments

Anjos e Demonios…

Falando em eleições, eu estou bastante impressionado com esse movimento anti-Lula ou pró-Alckmin que anda varrendo a internet e a imprensa.

É como se o Alckmin tivesse sido canonizado. Virou santo, antes mesmo dos três milagres confirmados. O Lula por sua vez virou o anti-cristo, o filho do demo, do tinhoso, do cramunhão, do esquerdo, enfim, acho que deu pra entender.

Não tem um único dia em que eu não recebo um email criticando o Lula, seu governo corrupto, seu apreço por bebidas destilada ou fermentadas, pelo dedo que perdeu (dizem que com 5 dedos um presidente consegue contar melhor a quantidade de dinheiro que é desviado dos cofres públicos).

Ok, a gente entende que um chefe de estado que nunca sabe de nada do que acontece bem ali, em baixo de sua barba proeminente, acaba ficando sem muita moral. Mas daí dizer que o Alckmin é a solução mágica para os problemas do país é forçar demais, como assoviar qualquer uma das sinfonias de Beethoven de trás pra frente enquanto chupa cana e descasca manga.

Não to defendendo o Barba não (to faland do brasileiro, não do judeu), mas se tivemos escândalo do mensalão durante o governo Lula, tivemos precatórios no governo FHC. Se tivemos sangue-sugas no governo Lula, tivemos as privatizações obscuras no governo FHC…

E vamos combinar, não é de hoje que temos mensalões e sangue-sugas…

É visível que o processo eleitoral como um todo faz muito mais parte da vida do brasileiro hoje do que a algumas eleições atrás. As pessoas se envolvem mais, brigam mais, discutem mais… Pena não pensarem mais antes de elegerem o santo da vez, aquele que vai resolver todos os problemas do país em quatro anos…

 

 

EDIT: Alguns (na verdade só a Perséfone) notaram que escrevi sangue-sugas ao invés de sanguessuga. É claro que eu, enquanto Deus, não cometo erros. Então gostaria de deixar claro que a forma "alternativa" que encontrei para escrever sanguessugas é pura licença poética.

POSTED BY Hades ON 10.25.06 @ 14:26 pm | 7 Comments

A frase demagógica do dia é:

 

"Vou vender o “aerolula” e construir cinco hospitais."

 

                                                             Geraldo Alckmin

                                                Candidato à presidência da república. 

POSTED BY Hades ON @ 14:01 pm | 2 Comments

O Carioca.

Eu mal conheço O Carioca.

E nem é preciso conhece-lo tanto pra saber que tipo de homem ele é.

O Carioca é do tipo que luta, do tipo que diverte, do tipo que briga.

O Carioca é do tipo que leva a vida na malandragem, na tranqüilidade de quem vive pra viver um pouco mais.

O Carioca é do tipo que cai, e caído se levanta ainda mais forte.

O Carioca caiu.

Mas vai se levantar.

POSTED BY Hades ON 10.09.06 @ 11:49 am | 7 Comments

O tênis (eu disse TÊNIS)!!!

Hoje eu fiz uma babaquice. É, dessas sem tamanho.

Na pressa de sair de casa para não chegar atrasado no trabalho eu calcei um par de tênis e meti outro par dentro da mochila. Isso porque estava chovendo pra caramba e eu vou ao trabalho de moto.

E muito embora eu vá ao trabalho de moto a um bom tempo, e tenha até aquela roupa de chuva e tudo o mais, nunca tive a cara de pau de parar pra comprar uma simples galocha… Dessas de lavar quintal, que seja.

Enfim, acabei por molhar o tênis todo, o que já era de se esperar e por isso mesmo meti outro par na mochila (que é impermeável, graças à tecnologia), e quando fui trocar pelo par seco acabei descobrindo a tremenda babaquice que fiz… Eram tênis de pares diferentes… Todos os dois do pé esquerdo… Um azul e outro vermelho…

Eu sei, é engraçado… Estou rindo muito, tanto quanto meus chefes e todos os meus colegas de trabalho, bem como a dona do mercadinho aonde fui comprar coca-cola light e ao povo que na rua andava no momento em que eu fui ao mercadinho… E voltei…

Babaquice comparável apenas ao que foi as eleições de ontem… Tipo, Clodovil? Frank Aguiar? Wagner Montes? Esses caras (ok, excetuando-se o Clô) ganharam mesmo?

Ganharam… Ô se ganharam… Superaram seus terríveis adversários, Alan do Polegar, Marielza BBB, Juca Chaves e Sidney Fat Family.

Na minha zona (tem nome mais próprio que este?) eleitoral, eu juro que vi uma senhora procurando o número do candidato do “peróba neles”…

Ao menos o Lula ficou pro segundo turno… E a chuva parou…

POSTED BY Hades ON 10.02.06 @ 15:49 pm | 15 Comments



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