Devagar. Quase parando.
O brasileiro é uma figura engraçada. Não que todos sejam comediantes ou tenham uma veia cômica superior a de população de qualquer outro país. O engraçado, e muitas vezes trágico, é a forma como se seleciona as prioridades.
Por exemplo, é de censo comum que nada funciona direito antes do carnaval. É quase como um dogma, ou uma lei, ou até uma expressão gênica. O Brasil segue procrastinando por Janeiro, em Fevereiro a coisa toda para de vez. Operação de transplante de rim? Deixa pra depois do carnaval. Passeata pela moralidade? Agenda lá pra Maio!!!
Em época de Copa do Mundo a coisa fica pior ainda. Quando a seleção entra em campo, o tempo congela. Os pássaros deixam de voar, a chuva de cair, os rios de correr e as farmácias de funcionar. A “seleção canarinho” (Deus, eu escrevi isso mesmo!?) é quase uma força física bizarra que faz com que o Brasil pare… Completamente.
Temos ainda as férias escolares de Julho. Não importa se estuda-se ou não, assume-se que se algo tão fundamental quanto o ensino pode para por um mês, então todo o resto também pode.
E no Brasil é assim. Segue-se dando prioridade para a preguiça. Festeja-se o carnaval por dias a fio sem parar um minuto sequer, mas não se movimento um único músculo, especialmente o liso que fica dentro do crânio, na hora de se exigir práticas políticas justas.
Hinos de “90 milhões em ação” ou “eu sou brasileiro com muito orgulho” são entoados aos quatro cantos do país, mas só quando se trata de futebol. Não se canta o hino da educação ou da cultura… A não ser que ele tenha “boladona”, “glamurosa” ou “até o chão” na letra.
Em um país regido pela primeira lei de Newton e que tem como ícone máximo de conduta um jogador de futebol, só nos resta torcer de verde e amarelo, para que o samba do juízo um dia toque e faça sucesso.